Episódio 2: Corrida até o Enclave Celeste de Murasa

Posted in Magic Story on 14 de Setembro de 2020

By A. T. Greenblatt

A.T. Greenblatt is a mechanical engineer by day and a writer by night. She is the author of over two dozen science fiction and fantasy short stories and her piece "Give the Family My Love" won the 2019 Nebula Award for Best Short Story.

Nahiri estava contente e ao mesmo tempo furiosa. Contente porque a antiga chave estava bem guardada no seu bolso, a solução dos seus problemas ao alcance de seus dedos. Furiosa porque sua aventura recente com Nissa deixou abundantemente claro que ela não poderia visitar o Enclave Celeste de Murasa sozinha com esperanças de sobreviver. Por mais que ela quisesse pensar o contrário, se Nissa não estivesse no Enclave Celeste de Akoum com ela não seria possível obter a chave.

Felizmente, olhando a entrada alta do Portão Marinho, ela sabia onde encontrar o melhor grupo de aventureiros em Zendikar.

Fazia muito tempo que ela tinha visitado o Portão Marinho pela última vez. Não parecia o mesmo que ela se lembrava. A guerra contra os Eldrazi arrasou a cidade e, apesar do Portão Marinho ter sido reconstruído, ainda havia cicatrizes em seus edifícios.

E no seu povo.

A culpa cercava Nahiri enquanto ela caminhava a passos largos pelas ruas, mantendo o olhar fixo à frente. Ela não prendeu o olhar no magnífico farol acima da entrada da cidade, não deu uma olhada no mercado a céu aberto onde humanos, kor e tritões barganhavam em suas bancas. Ela mal olhou para o novo memorial de guerra ao passar por ele — uma enorme plataforma circular, com seis grandes edros igualmente espaçados, cercados por destroços originais do Portão Marinho. Diferente dos cidadãos dessa cidade, Nahiri não precisava de um monumento para lembrá-la do que perdera.

Ao se aproximar das Guildas, as ruas ficaram mais estreitas, cheias dos aromas de peixe fresco e carnes grelhadas das tavernas. Mascates e mercenários famintos se aproximavam, mas mudavam rapidamente de curso quando viam o olhar dela. Ela não tinha tempo a perder com aventureiros comuns. A chave no seu bolso era pesada.

Quando chegou na Casa Expedicionária do Portão Marinho e empurrou sua porta de ferro fundido, ela foi atingida imediatamente pelo ruído, o calor e o aroma de viajantes e cerveja choca. Não era um lugar muito grande e estava cheio de pessoas de todas as raças, sentadas com canecos ao redor de mesas de argamassa ou em debates acalorados enquanto clientes em potencial barganhavam com aventureiros. E em meio a todo o caos, como o olho de um furacão, estava Kesenya, chefe da casa expedicionária.

Ela era uma kor alta e orgulhosa, vestindo armadura de prata e roupas em um púrpura opulento. Seus cabelos brancos estavam trançados em um padrão complexo e em torno do pescoço havia um colar em vermelho brilhante que só podia ser a lendária Gola do Dragão. Ela estava sentada, cercada por admiradores e patronos, todos competindo por sua atenção. Mas quando ela viu Nahiri, ela ficou de pé imediatamente, dando uma desculpa ou outra para as pessoas à sua volta, começando a atravessar o aposento.

“Patrocinadora,” disse ela em voz baixa, “é sempre uma honra vê-la.”

“Fico contente em ver meu investimento dando frutos,” respondeu Nahiri, também em voz baixa. “Vamos conversar a sós.”

“É claro.” Kesenya a levou até uma saleta nos fundos, pequena, mas bem mobiliada, com almofadas nos bancos e mapas dos Enclaves Celestes nas paredes. Uma nova rodada de cerveja foi trazida e colocada na mesa.

“Serei honesta,” disse Kesenya, sentando-se à frente dela, “fico surpresa em vê-la aqui. Você costuma ser um pouco mais . . . distante.

“Eu sou quem preciso ser,” respondeu Nahiri, com uma certa intensidade na voz. Ela tocou a chave dentro do bolso. “E agora, eu preciso de uma equipe capaz e corajosa para buscar algo muito precioso e poderoso.”

“Você veio ao lugar certo,” disse a outra kor. “Suponho que tenha alguém em mente?”

Nahiri sorriu.


Nahiri, Herdeira dos Antigos | Ilustração: Anna Steinbauer

Quatro aventureiros estavam sentados à frente de Nahiri na sala de reuniões privadas da Casa Expedicionária. Akiri, uma kor renomada por toda Zendikar por ser fundeira de linha. Uma pequenina maga humana com um cajado entalhado chamada Kaza; rumores diziam que ela adorava fogo e tinha um brilho arteiro nos olhos. Orah, um clérigo kor com uma longa barba branca e um conhecimento bibliográfico dentro da cabeça. E Zareth, um tritão de barba trançada e cabelos vermelho-choque. Dos quatro, ele era o único que não estava sentado à mesa. Ao invés disso, ele estava apoiado na parede do fundo, com os braços cruzados, observando-a desconfiado; Nahiri soube imediatamente que deveria ter cuidado com ele.

“Meu nome é Nahiri,” disse ela. “Já estive em aventuras dignas de lenda. Estou pedindo que se unam a mim em uma dessas expedições agora.”

Os aventureiros não responderam.

Todos eles tinham semblantes com níveis variados de ceticismo.

 

Ótimo, pensou ela. Eles não aceitam coisas prontamente.

“O que a Kesenya contou sobre mim?” Indagou Nahiri, recostando-se na cadeira.

“Somente o básico,” respondeu Akiri lentamente. Nahiri percebeu que ela era a líder deles.

“Ela disse que você conseguia viajar para outros planos. Que a rocha obedece a seus comandos. Que você é poderosa o suficiente para enfrentar um Eldrazi sozinha,” disse Orah, inclinando-se para a frente. “É verdade?”

Quisera eu que esse último fosse, pensou Nahiri, amarga.

“Sim,” disse ela, depois de uma pausa.

Orah sorriu largamente, parecendo uma criança que adorava descobrir que suas histórias favoritas eram reais. Akiri olhou para trás e trocou um olhar com Zareth.

“Então por que você precisa de humildes aventureiros como nós?” Indagou Zareth, endireitando-se e se aproximando da mesa.

Porque eu vou provavelmente me enfiar em uma armadilha, pensou ela.

“Tem um objeto antigo, chamado Núcleo Litoforme,” começou Nahiri. Ela fez uma pausa e engoliu seu orgulho. “E eu preciso de ajuda para coletá-lo.”

“Onde?” Indagou Akiri, cruzando os braços.

“Em Murasa. Em um Enclave Celeste que apareceu por lá,” respondeu Nahiri, notando como o termo fez os aventureiros se inclinarem, levemente interessados. “Já ouviram falar, não?”

Eles se entreolharam mais uma vez. “Ninguém conseguiu subir aquele lá,” comentou Kaza, parecendo nervosa.

“Ninguém pediu aos melhores,” respondeu Nahiri, sorrindo por dentro quando eles melhoraram suas posturas.

“O que a gente ganha com isso?” Indagou Zareth. Akiri lançou-lhe um olhar, mas ele ergueu a mão e disse: “Não— se formos arriscar nossas vidas, é importante saber por quanto.”

As narinas de Nahiri se expandiram de leve, mas ela segurou sua impaciência. “O objeto que procuro vai curar Zendikar de todas suas feridas. Deixará este mundo seguro e próspero novamente, como era antes dos Eldrazi chegarem.” Nahiri deu um gole longo e lento, fazendo uma pausa dramática. “Imagine a riqueza e a fama que chegará para as pessoas que salvarem este mundo.”

“O dano neste mundo,” disse Akiri, “é imenso.”

“Eu perdi minha família inteira para os Eldrazi,” disse Orah, em voz baixa.

“Eu perdi amigos,” disse Kaza.

“Nós todos perdemos alguém,” disse Akiri, olhando de volta para Zareth, “e eu acho que todos sonhamos com um mundo mais seguro. Parece uma ideia impossível.” Akiri se virou e encarou Nahiri diretamente; Nahiri viu uma fagulha de esperança naqueles olhos. “Mas se metade das suas realizações forem verdade, talvez haja uma chance.” Akiri se recostou e aquele leve bruxuleio de esperança desapareceu. “No caso, se é que acreditarmos em você.”

“Eu não acredito,” disse Zareth. “O que nos impede de pegar o Núcleo sem você?”

Nahiri sorriu, mas o sorriso não chegou nos olhos. “Eu tenho a chave,” respondeu ela, tirando-a do bolso. Era como mostrar uma pequenina estrela, e ela a pousou sobre a mesa. A chave pulsou brilhante e os quatro aventureiros se afastaram por instinto.

“Uau,” sussurrou Kaza.

Nahiri colocou a chave de volta no bolso, lembrando-se de ser paciente.

“Antes de decidirmos, talvez você possa jogar uma partida comigo?” Perguntou Zareth.

Os olhos de Nahiri apertaram com suspeita. Mas se fosse para ser completamente honesta, uma pequena parte dela também estava intrigada. “Que tipo de jogo?”

“Zareth,” disse Akiri com um tom de aviso.

“Um jogo de cartas,” respondeu ele e se virou para Akiri. “Fazemos isso com todos clientes em potencial. Por que com ela seria diferente?”

Akiri franziu o cenho e Nahiri duvidou seriamente de que eles faziam isso com qualquer um de seus clientes. Mas ela estava curiosa. “Pois bem,” disse ela, “me conte as regras.”

Akiri cedeu sua cadeira para Zareth, mas pousou a mão no ombro dele, ficando logo atrás. Ele sorriu afetuoso, pousando sua mão sobre a dela.

Com sua mão livre ele tirou um baralho de cartas gastas do nada. “Grupos de aventureiros gostam de chamar esse joguinho de Conquista.” Com prática e facilidade, ele distribuiu quinze cartas em um círculo sobre a mesa. Depois, ele tocou a mesa no centro desse círculo e as cartas começaram a flutuar, girando.

“Funciona assim,” disse Zareth, “uma carta é escolhida aleatoriamente.” Com suas palavras, uma carta do círculo parou de girar, deslizou até o centro, e se virou. Era um belo desenho, uma estampa bem detalhada de pedras preciosas e olhos. No centro havia uma única palavra: Astúcia. “E nós temos que contar uma história real sobre como realizamos a palavra escrita na carta. Se a sua história não for impressionante o suficiente, outra pessoa tem a chance de capturar a carta.”

“Parece simples,” comentou Nahiri. Simples demais.

“Ah, sim,” respondeu Zareth, “mas aqui está o pulo do gato. Se eu vencer, você nos conta exatamente o que esse Núcleo vai fazer com Zendikar.”

Nahiri se recostou na cadeira, unindo as pontas dos dedos. “E se eu vencer, você e sua companhia virão comigo para o Enclave Celeste de Murasa.”

Os quatro aventureiros se entreolharam novamente, e Akiri assentiu com a cabeça.

“Eu começo.” Zareth estudou a carta intensamente, como se tivesse dificuldade de encontrar uma história adequadamente astuta. “Um dia, eu encontrei um mercador de livros que era mais ladrão do que acadêmico. Eu fingi ter um pergaminho mágico perigoso, e enquanto barganhávamos eu recuperei os tomos que ele pegou emprestado da biblioteca do Portão Marinho. Ele nem notou.”

A carta da Astúcia voou para a mão esticada de Zareth. Nahiri ergueu uma sobrancelha e ele sorriu convencido. “Sou conhecido como O Trapaceiro.”

Ou seja, eu não posso confiar em você, pensou Nahiri, apertando os olhos.

“Minha vez,” disse ela. Outra carta se desprendeu do círculo e flutuou para o centro. Nela, estava a palavra Inimigo.

Nahiri sorriu. Essa era fácil. “Tinha alguém que era como um pai para mim. Mas, depois de séculos, ele traiu a minha confiança. Não faz muito tempo, eu lutei contra ele durante uma batalha de acabar com o mundo. E eu venci.”

Zareth e os outros a encaravam.

“Você não é tão velha assim,” julgou Kaza.

“E não houve batalhas dessa escala desde os Eldrazi,” disse Orah lentamente.

Nahiri deu um grande gole, sorrindo convencida. Calmamente, ela estendeu a mão, e a carta pulou na sua mão. “Não neste mundo.”

Por um momento, a confiança de Zareth pareceu enfraquecer.

Ótimo, pensou Nahiri.

“Quero brincar também,” disse Kaza enquanto puxava a cadeira mais perto da mesa. Sua carta dizia Vitória.

Kaza começou uma história sobre como ela destruiu várias proles Eldrazi com um punhado de magias e um frasco explosivo bem colocado. Mas Nahiri estava apenas ouvindo parcialmente. Ela suspeitou que tivesse mais nesse jogo de cartas e esperou a armadilha se montar.

Nada aconteceu.

Até que ela sentiu algo. Dedos tocando seu bolso, levíssimos, o menor dos sussurros. Ela não teria notado se o chão não fosse de pedra e ela conseguisse sentir os movimentos do Trapaceiro nela. Mas quando ela olhou para as cartas, as duas mãos dele estavam de volta na mesa.

“Sua vez,” disse Zareth com um sorriso astuto.

A carta revelada dizia Poder.

Nahiri se recostou, estudou seu oponente por um longo momento.

Então, ela estalou os dedos e transformou todas as cartas em granito. Zareth e Kaza deram um pulo de surpresa e largaram as cartas que estavam segurando. Elas caíram ruidosamente na mesa. Nahiri estendeu a palma e todas as cartas voaram para se empilhar em sua mão.

“Ganhei,” disse Nahiri enquanto encarava Zareth. “Agora devolve.” Ela estendeu a outra mão.

Chocado, Zareth pegou a chave dentro de sua túnica e a devolveu sem protestar com nenhuma palavra.

Ao lado dele, Kaza se enroscava rindo. “Ahh, ela pegou você, Zareth.”

“Ela ganhou mesmo,” disse Akiri, “apesar de que justo não é uma palavra aplicável jogando com você.” Ela o abraçou pelos ombros. Para Nahiri, ela disse: “Quando partimos?”

Nahiri ficou de pé. Ela venceu, mas por algum motivo a vitória não tinha um gosto doce. Ela foi até a porta. “Amanhã. No nascer do sol.”


Zareth San, o Trapaceiro | Ilustração: Zack Stella

Zareth se xingou por devolver a chave para Nahiri. Os outros o provocaram por perder de maneira tão espetacular para a estranha kor, mas pararam quando ele não respondeu com seu sarcasmo costumeiro.

Eles então o deixaram em paz enquanto terminavam suas cervejas e saíam para preparar a jornada por vir. Mas Zareth não partiu. Não. Ele ficou sentado na Casa Expedicionária do Portão Marinho e ficou segurando outra bebida enquanto as horas passavam e o salão cheio ia esvaziando.

Quem deu a Nahiri o direito de mudar o mundo dele, afinal?

Era perto da meia-noite quando ele ficara por último.

Bom, ele e Kesenya. O que lhe cabia muito bem. Zareth se perguntou se a líder da Casa dormia de fato.

“Você não parte de manhã cedo?” Indagou ela, se aproximando dele.

“Sim,” respondeu ele, “mas eu queria aproveitar essa noite, caso seja minha última.”

Kesenya o observou por um longo momento. “Mentiroso,” disse ela.

“Certo,” disse Zareth. “Esse objeto que estamos procurando no Enclave Celeste de Murasa — estou preocupado com ele."

A líder da casa não disse nada, apenas gesticulou para que ele continuasse.

“Ela disse que iria mudar Zendikar com ele,” começou Zareth, “devolvê-la ao estado de antes dos Eldrazi serem aprisionados aqui.”

Kesenya deu uma risada curta. “Você faz parecer uma coisa ruim, Trapaceiro.”

“Você viu aquelas ruínas antigas,” respondeu ele bruscamente, começando a derramar a raiva que esteve segurando o dia todo. “Você acha que vai ter algum lugar para pessoas como nós em um mundo de fortalezas e exércitos?”

Pela primeira vez desde que ele se lembrava, a líder da casa não parecia ter certeza. “Não é tão simples assim. Nahiri é . . . mais importante do que parece.”

Zareth sacudiu a cabeça. “Tudo o que eu peço a você é que encontre alguém para comprar o Núcleo, alguém rico e burro. Alguém que não vá realmente usá-lo,” disse ele. “Eu cuido do resto.”

Kesenya hesitou, em conflito. “Se me conseguir o Núcleo, vou considerar a ideia,” disse ela, por fim.

Zareth sorriu. Não era um sim, mas também não era um não. Era o suficiente para ele.

Por enquanto.


Floresta | Ilustração: Sam Burley

Quando eles finalmente chegaram na Baía do Rachacasco em Murasa, Akiri foi a primeira a desmontar do grifo e pousar os pés no chão. As escarpas formidáveis da ilha se erguiam entre eles, e uma floresta de enormes árvores harabaz os cercava. Mas a concentração de Akiri estava toda no Enclave Celeste de Murasa que se assomava bem acima do emaranhado de galhos das harabaz. A antiga ruína flutuante era gigantesca, coberta de vegetação e pequenas árvores, de onde cachoeiras corriam. Suas partes deslizavam pelas correntes de ar e, até mesmo olhando daquele ponto de vista limitado no chão, Akiri perceberia que seria uma escalada perigosa.

Ela sorriu. Ela adorava um desafio.

“Eita,” disse Kaza, olhando para cima, “parece difícil. Que bom que ela nos contratou.”

“Essa vai entrar para as lendas,” concordou Akiri.

“Nós devíamos começar,” disse Nahiri, descendo de seu grifo. “O Núcleo Litoforme está perto.”

“Como saberemos onde encontrá-lo depois de subirmos até lá?” Indagou Zareth, de braços cruzados. Akiri deu-lhe um olhar de aviso. Por toda a jornada ele veio incomodando Nahiri com perguntas sobre o Núcleo, sem esconder sua desaprovação.

Nahiri deu-lhe um olhar seco. “Eu saberei.” Ela se virou e foi até onde Kaza e Orah estavam revirando suas mochilas.

“Não é uma resposta boa,” resmungou Zareth, baixo o suficiente para que apenas Akiri conseguisse ouvir. “Não confio nela.” Ele pegou a mão de Akiri e entrelaçou os dedos.

Akiri suspirou. Ela conseguia notar a tensão na postura dele, sentir sua preocupação exalando.

“Eu sei,” disse ela, “mas eu tenho a impressão de que ela seja extremamente protetora com Zendikar. Eu não creio que ela estragaria o mundo, apesar de eu não saber exatamente por quê.” Havia muitas coisas neste mundo que Akiri não compreendia, e Nahiri era uma delas. Ela deu um aperto firme na mão de Zareth antes de soltar e ir até os outros. Um momento depois, ela ouviu seus passos largos atrás dela.

“Qual o tamanho desse Núcleo, exatamente?” Orah estava dizendo enquanto pendurava um rolo de corda no ombro.

Nahiri franziu o cenho. “Eu não sei ao certo.”

“Bom,” disse Kaza, animada, “provavelmente eu posso fazê-lo levitar, se for preciso. Ou explodir ele. Isso eu consigo fazer com certeza.”

“Anotado,” disse Nahiri com um sorriso miúdo.

“E como vamos saber se esse Núcleo vai funcionar?” Indagou Zareth.

Nahiri virou-se para ele e ficou imóvel, toda sua postura e expressão ficou dura como pedra. Por um momento terrível, Akiri pensou que ela atacaria Zareth. Ela se encolheu por instinto, pronta para entrar em ação.

Mas Nahiri foi mais rápida.

Com um borrão de movimento, Nahiri tirou a chave brilhante do bolso, a ergueu na direção de Zareth e falou uma palavra que Akiri não compreendia. Akiri se aproximou rápido, mas foi parada por um clarão tão forte que ela precisou proteger seus olhos.

“Zareth!” Gritou ela em pânico.

Levou um segundo longo e agonizante para sua visão clarear.

Quando clareou, Akiri notou duas coisas.

Primeiro, Zareth estava de pé no mesmo lugar, a salvo, piscando também. Akiri expirou, com o alívio a inundando.

Segundo, havia um pisoteador grande e raivoso flutuando em pleno ar atrás de Zareth, imóvel. Sua boca estava aberta, expondo suas presas longas, e duas de suas seis patas estavam a centímetros dele, prontas para atacar. Ficou claro que a besta feroz estava caçando, e foi impedida no último momento.

Akiri pegou suas cordas, pronta para laçar a besta e amarrá-la.

Mas antes que ela pudesse fazê-lo, o pisoteador começou a derreter, virando areia. Em momentos não havia mais nenhum traço da criatura, exceto por um punhado de grãos pretos.

“Isso,” disse Nahiri, guardando a chave, “é só um gostinho do poder do Núcleo.”

“Onde estava esse Núcleo quando estávamos lutando contra os Eldrazi?” Indagou Akiri, com a voz abafada e fascinada. “Precisávamos dele lá.”

Nahiri ficou imóvel novamente, mas dessa vez sua face estava cheia de dor e culpa. “Vamos seguir caminho,” disse ela, com firmeza. “Não devíamos ficar no nível do chão.”

“Comecem a subir as árvores,” disse Akiri. Ela assentiu brevemente para Zareth e os demais. “Eu já alcanço vocês.”

Akiri fingiu conferir seu equipamento novamente enquanto os demais começaram a subir uma harabaz. Quando ficaram longe da vista e ela mal conseguia ouvi-los, ela deixou seus ombros caírem. Essa seria uma aventura lendária.

“Se algum deus benevolente estiver ouvindo” — Akiri sussurrou para as escarpas e árvores. Ela raramente acreditava em algo além de estar preparada e ser rápida, mas hoje era diferente — “por favor, mantenha meu grupo a salvo hoje.”

Não era uma oração muito grande, mas ela não gostava de incomodar deuses. Akiri passou suas linhas por cima do ombro e começou a subir.

Pelo canto do olho, ela viu algo se mover. Ela ficou tensa, se virou e viu um ponto preto inchando embaixo de uma das árvores próximas, bem onde Nahiri tinha usado a chave. Parecia um tentáculo feito de areia preta. Ele cresceu lentamente, se enroscando no tronco da árvore, secando folhas, galhos e casca, transformando-as em algo rígido e imóvel.

Como pedra.

Akiri teve um arrepio.

Havia muitas coisas nesse mundo que ela não compreendia, e esta era uma delas.

Rapidamente, ela começou a subir.


Quando Jace chegou no Portão Marinho, ele se perguntou se estava começando pelo lugar certo. Ele sabia, pelo que Nissa contara a ele em Ravnica, que Nahiri estava aqui em Zendikar. E ele deduziu que Nissa voltara para cá também. A pergunta era, claro, para onde?

O Portão Marinho, raciocinou ele, era um bom lugar para começar.

Ele não voltara para cá desde a batalha contra os Eldrazi, quando a cidade foi praticamente demolida por completo. Na época, a torre do farol na entrada tinha sido partida e a corrupção tinha se derramado por todas as ruas da cidade depois que Kozilek passou.

Agora, o farol estava reconstruído, alto e orgulhoso, e as ruas estavam limpas e brilhantes. Jace caminhou por elas, esperando encontrar com Nissa, esperando que ele conseguisse consertar as coisas. Ela era amiga dele, e apesar de nem sempre ser um bom amigo, ele queria ser melhor.

Eu queria que Chandra estivesse aqui, pensou ele. Ele tentara encontrá-la antes de vir, sem muita sorte. E Jace suspeitou que não tinha muito tempo antes de Nahiri executar o seu plano.

Então, perdido em seus próprios pensamentos, Jace não reagiu de imediato quando alguém o chamou.

“E aí, herói,” gritou alguém de atrás dele. “Você foi um dos defensores da cidade durante a guerra, não é?”

Jace se virou e viu uma mulher se aproximando. Ela usava armadura leve de couro e metal, em vermelho e dourado, com uma capa verde-folha. Seus cabelos eram pretos, amarrados em uma trança, e seu rosto tinha rugas, mas seus olhos claros brilhavam. Ou melhor, um olho. A metade direita do rosto dela era um amontoado de cicatrizes que Jace reconheceu como sendo ferimentos da corrupção. Sua mão direita estava dobrada, e ela mancava levemente.

“Sim, sou eu,” respondeu Jace.

“Pensei que fosse,” disse ela, com um sorriso largo. “Eu me lembro dessa capa azul. Eu estava lutando não muito longe de você.”

“É mesmo?” Jace buscou suas memórias, mas aquele dia fora coberto de caos. Tanta ruína.

“É. Eu estava segurando um enxame de proles. Estava indo bem, até . . . até que a corrupção me pegou.” Ela deu de ombros.

“Sinto muito,” disse ele, incerto do que dizer. De repente, ele quis que ele e os outros planinautas tivessem sido mais rápidos e mais decisivos durante aquela luta.

A mulher deu-lhe um olhar curioso. “Não sinta. Eu consegui ajudar uma dúzia a escapar antes de me pegarem. E se eu tivesse que escolher de novo, não mudaria nada.” Ela sorriu largamente e Jace teve que admitir que era um sorriso charmoso. “Meu nome é Mara. Eu estou indo para o memorial. Gostaria de ir comigo?”

“Eu ficaria honrado,” respondeu Jace, com sinceridade.

Juntos, eles caminharam até a enorme plataforma com os seis edros em pé. Juntos, eles se ajoelharam na base de um deles. Ele conseguia ouvir Mara murmurando, pedindo perdão aos amigos que ela perdeu na luta. Por não ter conseguido salvá-los. Por ter sobrevivido a eles.

O peito de Jace apertou. Ele não sabia para qual de seus amigos ele deveria pedir perdão.

Ele pensou em Nahiri e em como ela estava tão desesperada para reverter o tempo neste plano de existência. Ele pensou em Nissa, que se culpava por tentar fazer o que era certo pelo mundo que ela amava.

Ele pensou em Gideon, que deu tanto de si para este plano.

“Eu sou culpado também,” sussurrou ele, baixinho, baixo o suficiente para que Mara não conseguisse ouvir logo ao lado, “mas eu vou compensar.”


Infelizmente nem todos no Portão Marinho eram tão acessíveis. Muita gente veio até ele, mas eram em sua maioria mercadores ou aventureiros solo procurando por um patrono. Ele não conseguia dar dez passos sem que alguém tentasse chamar sua atenção. Primeiro, ele perguntou por Tazri, uma forte general na batalha contra os Eldrazi e amiga dele. Mas ele descobriu que ela estava fora, em Guul Draz, caçando algum tipo de fera terrível. Então ele redirecionou a conversa para perguntar se tinham visto alguém com a descrição de Nahiri ou de Nissa, mas os aventureiros meneavam suas cabeças e os mercadores começavam a tentar vender outra coisa.

Eventualmente, Jace ficou tão frustrado que ele fez uma ilusão para se disfarçar como tritão, com uma barba longa e branca, usando marrons e verdes discretos. Ele passou pelas ruas do Portão Marinho sem ser notado, mas dessa vez ele espiava nas cabeças de alguns dos aventureiros mais sérios e cheios de cicatrizes, esperando ter vislumbres das outras duas planinautas.

Ele não encontrou nada.

Talvez fosse por isso que, quando ele adentrou a Casa Expedicionária do Portão Marinho, ele percebeu que esteve procurando no lugar errado esse tempo todo. O aposento estava cheio de aventureiros usando equipamento novo e lustroso com o emblema da casa — um contorno vermelho e serrilhado da Gola do Dragão. Todos riam alto, se gabando dos sucessos mais recentes.

“Posso ajudar?” Perguntou um homem à porta.

“Estou procurando pela liderança da casa,” respondeu Jace. O homem ergueu uma sobrancelha e olhou para Jace de cima a baixo.

“Ah, certo” — Jace cancelou o disfarce — “eu sou Jace Beleren. Diga a ela que precisamos conversar.”


A líder da Casa Expedicionária do Portão Marinho sentou-se à frente de Jace em uma das salas privadas e Jace sentiu sua preocupação imediatamente.

Por que será? Ele lutou contra a vontade de espiar em sua mente.

O cômodo era confortável, com assentos macios e chá servido para eles. Havia mapas na parede e pergaminho com tinta em um canto, para contratos.

“Estou aqui para ajudar,” disse ele. Ele percebeu que teria de ganhar a confiança dela. De algum modo.

Kesenya ergueu uma sobrancelha. “Ajudar como?”

Jace repetiu o que Nissa contara a ele sobre o Núcleo. Ele insistiu que queria encontrar uma solução razoável. Explicou que ele, Nissa e Nahiri já trabalharam juntos no passado.

“Só que eu não sei onde Nissa ou Nahiri estão no momento,” terminou Jace.

O olhar de Kesenya não demonstrava nada. Sabendo que não devia, mas ficando desesperado, Jace espiou os pensamentos dela.

Zareth tinha razão, pensou ela.

 

Mas ao invés disso, ela disse: “Temo que não posso ajudá-lo.”

Jace se afastou levemente, surpreso. “Você não está preocupada?”

“Eu estou preocupada,” respondeu ela. “Ela levou meu melhor grupo de aventureiros.”

E eles estão procurando por algo que talvez não deva ser encontrado, pensou ela.

“Zendikar é um lugar lindo,” disse Jace, inexpressivo. “Eu quero ter a chance de conversar com Nahiri antes que ela o mude. Mas preciso saber onde procurar.”

Ele viu um momento de indecisão passar pelo rosto de Kesenya, e Jace ousou ter esperança.

E então, a expressão dela endureceu.

“Desculpe. Não posso ajudá-lo,” disse ela, ficando de pé. “Esta casa leva a sério a privacidade de seus patronos.”

“Eu entendo,” disse Jace, e depois adicionou, basicamente para si mesmo, “infelizmente, esse mundo é bastante grande.”

“Sim. Se você precisa de alojamento, aqui está o endereço de uma hospedaria respeitável,” disse ela, pegando um pedaço de pergaminho e uma pena da mesa no canto, escrevendo rapidamente. “Boa sorte.” Ela entregou-lhe o pergaminho.

“Obrigado,” disse Jace, com o coração pesado. Ele se perguntou se deveria usar seus poderes para forçá-la a dizer o que ele queria saber.

Mas não, seria ir longe demais. Jace quase conseguia ouvir a bronca de Gideon por espiar os pensamentos de Kesenya. Ele quase conseguia ver o cenho franzido de Gideon, desapontado.

Ele saiu da casa Expedicionária com a cabeça a mil, tentando pensar em sua próxima estratégia. Ele já estava meia rua abaixo quando olhou o bilhete de Kesenya.

Nele estava o endereço da Hospedaria O Acadêmico e o Mar. Mas escrito no rodapé do pergaminho, havia uma única palavra: Murasa.


Trôpego do Enxame | Ilustração: Nicholas Gregory

Jace tinha viajado a muitos planos de existência e a muitos lugares, mas Murasa era diferente de qualquer ilha que ele já tivesse visitado. Ele não tinha certeza se gostava.

Para começar, as escarpas em torno dele eram estonteantes, mais altas do que as maiores torres de Ravnica, e sua face de rocha branca prometia perigo. Em volta dele, enormes harabaz se erguiam pelo ar e as raízes se espalhavam como arcos em torno dele. Suas botas afundavam levemente na areia úmida e grossa no chão, e o aroma de sal e algas era quase esmagador.

Jace teve um arrepio. A Baía do Rachacasco lembrava ele demais de estar preso nas selvas de Ixalan. Ele queria ter conseguido trazer Chandra ou outro membro das Sentinelas com ele, mas ninguém respondera ao seu chamado.

Felizmente ele conseguia ver o Enclave Celeste acima dele, apesar de estar bem no alto e a viagem até lá parecer traiçoeira.

“Bem, eu até gosto de um desafio,” disse ele. Se ele aprendeu algo na sua estadia em Ixalan, foi como calejar as próprias mãos.

Ele o ouviu antes de ver. Algo grande estava rasgando a fauna atrás dele, com passos pesados que faziam o chão tremer. Jace se virou bem a tempo de ver um monstro enorme e voraz emergir entre as árvores. Ele tinha seis patas nodosas, um tronco de caranguejo e as costas cheias de cogumelos brancos e grandes.

“Ah, agora não,” sibilou Jace, ficando invisível.

A enorme criatura parou, virando para um lado e para outro. Ela uniu suas patas dianteiras grotescas com um estrondo, fazendo os blocos de cogumelos em suas costas tremerem e sacudirem. Então, ele virou seu corpanzil para ele.

E atacou.

Jace rolou para longe. Um instante depois, a criatura se chocou contra uma árvore atrás dele.

Droga, pensou Jace. Novo plano. Ele parou a invisibilidade e criou uma ilusão de si mesmo, colocando o outro Jace o mais longe possível. O monstro parou, olhando para os dois planinautas. Ele uniu os antebraços novamente com um estrondo de estourar os tímpanos. Jace cobriu os ouvidos, retraindo-se. Quando ele olhou de novo, a criatura o encarava de frente.

Ela não foi enganada.

Está usando ecolocalização, ele percebeu tarde demais.

O monstro atacou. Jace deslizou para longe, evitando-o por centímetros.

“Por que tudo nesse plano quer me matar?” Murmurou ele enquanto tocava sua têmpora com dois dedos e tentava um golpe mental contra a besta.

Mas o que estava controlando esse monstro não era mental.

E estava perto dele agora. Perto demais. Jace conseguia sentir as ondas de podridão esvaindo da criatura. O pânico cresceu em Jace. Por que seu controle mental não funcionou?

Ahh! Ele está sendo controlado pelos cogumelos em suas costas! Mas ele percebeu tarde demais, novamente. A criatura ergueu seus antebraços tortos acima dele.

Jace ergueu uma barreira e se preparou para o impacto.

O impacto nunca veio.

Tão repentino quanto a chegada do monstro, algo também chegou.

De início, Jace não conseguia discernir o que era. Lutando contra o monstro havia uma segunda criatura que tinha se camuflado com as árvores em volta; seu tronco era espesso e cinzento, mas seus galhos eram idênticos às enormes raízes de árvore acima.

A segunda criatura atingiu o monstro uma, duas vezes, com bordoadas impactantes, deslocando alguns dos cogumelos das suas costas. O monstro deu um guincho e se retraiu.

O que você é? Pensou Jace.

Seu salvador avançou, batendo no monstro mais e mais e mais. Jace percebeu que era a versão corpórea das árvores harabaz em volta dele. Gigante, abrangente, indômito. A resposta atingiu Jace como um soco.

É um elemental. Jace girou, procurando pela outra planinauta.

Sem dúvida, lá estava Nissa, empoleirada em uma das grandes árvores, com a mão esticada e toda a aparência de guardiã deste plano.

A expressão em sua face estava absolutamente assassina.

Em segundos, o elemental de harabaz destruiu o monstro, com seu corpo de mamute desmoronado no chão, inerte e débil.

“Você está bem?” Perguntou Nissa, descendo de onde estava com a mesma leveza que desceria um degrau, e não seis metros.

“Sim,” respondeu Jace. “Obrigado.”

“É claro.” Ela sorriu, mas o sorriso não chegou nos olhos. Seu olhar passou para o elemental de harabaz que batia patas na frente do cadáver do monstro, como se o desafiasse a tentar outro golpe. “Eu nunca tinha invocado um elemental de harabaz. Acho que Gideon teria gostado dele.”

“Ele é mesmo impressionante,” admitiu Jace.

Ele é Zendikar,” disse Nissa, com firmeza. “Claro que seria.”

Internamente, Jace se deu um chutinho. “Não quis deixar implícito que—”

“Eu sei,” disse ela com doçura. “Os elementais são . . . muito importantes para mim. Eles cuidaram de mim quando ninguém mais me quis. Não posso deixar Nahiri feri-los.”

Jace colocou a mão em seu ombro. “Eu não vou fingir que entendo inteiramente,” disse ele, “mas esses elementais significam muito para você, então eu vou ajudar a protegê-los.”

Nissa abriu um sorriso, o primeiro que ele vira em muito tempo, vindo dela. Fez seu coração esquentar.

“Obrigada,” disse ela. “Nahiri foi lá para cima.” Nissa apontou para o imponente Enclave Celeste.

“Como você sabe?”

“Zendikar me contou.”

As sobrancelhas de Jace se uniram, confusas. Ele nunca entenderia esse plano. “Qual a melhor maneira de subirmos?” Indagou ele.

“Com meus cipós,” respondeu Nissa, e depois pareceu envergonhada. “Não são tão velozes quanto a criação de pedra que Nahiri faz. Não será fácil. Você está pronto, Jace?”

Ela mordeu o lábio, retorcendo as mãos. Jace percebeu que ela esperava uma recusa.

O estômago de Jace retorceu com culpa. Era verdade, o antigo Jace teria dito não.

O Jace que ainda não tinha sobrevivido a Ixalan com Vraska.

 

Mas ele era o Jace que sobrevivera àquele lugar, com aquela pessoa. E pela amizade com Nissa, pelas Sentinelas e por todas as batalhas vindouras, ele tinha que fazê-lo.

“Sim,” disse ele. “Estou pronto.”

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