O Livro-Razão das Fortunas Ocultas

Posted in Magic Story on 20 de Fevereiro de 2019

By Nicky Drayden

Nicky Drayden is a systems analyst who dabbles in prose when she's not buried in code. She resides in Austin, Texas, where being weird is highly encouraged, if not required.

Conto anterior: Princípios da Seleção Não-Natural

Um aviso a pais e mães: observem que este conto trata de assuntos que possam ser considerados inadequados para leitores mais jovens.

Data: 15 de Dhazo

Local: Altos do Trevo

Resumo do Procedimento da Coleta dos Dízimos:

Dos 360 nomes listados no registro de dízimos:

  • 259 cidadãos pagaram os 30% requeridos de seus salários
  • 87 cidadãos fizeram pagamentos parciais com promissórias de débito (vide o Livro-Razão de Débitos para mais detalhes)
  • 13 cidadãos optaram pela flagelação pública e servidão contratual
  • 1 cidadão se recusou a pagar — como pedido, seus bens serão confiscados, bem como os de sua família, para redistribuições após absoluções

Total dos Dízimos da Semana:

  • 21.890 zinos em moedas
  • 7.503 zinos em promissórias
  • 4.401 zinos em propriedades e bens cedidos (vide valores estimados nas observações abaixo)

Bens e Propriedades 1: Qtd 3 – Corrente de moedas em prata. Valor: 69 zinos
Bens e Propriedades 2: Qtd 1 – Amuleto Orzhov, lápis-lazúli com cristal. Valor: 155 zinos
Bens e Propriedades 3: Qtd 7 – Máscaras de thrull, folheadas a ouro. Valor: 109 zinos
. . .

É a minha terceira semana como coletora de dízimos certificada, e apesar do meu pai me garantir que ficaria mais fácil com o tempo, ainda não ficou. Hoje foi especialmente ruim, então estou aqui escrevendo no meu livro-razão. Ninguém lê todas essas anotações mesmo, então eu posso anotar pensamentos e sentimentos quando quiser, ninguém vai ficar sabendo.

Hoje eu tive a primeira recusa. O cidadão em questão tentou argumentar comigo que trinta por cento era demais. Era dez por cento antes, disse ele, desde que ele se lembrava. Eu expliquei gentilmente que ainda eram dez por cento — dez por cento para a gestão da guerra, dez por cento para assistência social e infraestrutura, e mais dez por cento para Orzhova, como compensação pelo tempo valioso de Kaya e dos Oligarcas, mas ele não queria saber. Eu dei-lhe a oportunidade de compensar os outros vinte por cento em promissórias se precisasse, mas ele começou a xingar a guilda, dizendo que nossa líder tinha que tirar suas mãos gananciosas dos bolsos dele, senão ele faria algo a respeito.

Eu podia deixar passar a agitação e os xingamentos, mas não pude ignorar uma ameaça flagrante contra Kaya. Quando eu fiz menção de subjugá-lo, os olhos dele tremeram igual a um morcego com raiva. Ele me atacou com as mãos vazias, batendo em minha armadura folheada a ouro até o metal ficar vermelho com seu sangue. Eu apliquei um golpe de antebraço na têmpora e depois usei meu cajado para dar-lhe uma rasteira e derrubá-lo. Ele caiu no chão batido, resfolegante. Ele fixou os olhos em mim, como se a punição que cairia sobre ele fosse culpa minha.

Foi ele quem se recusou a pagar. Eu só estava fazendo o meu trabalho.


Data: 24 de Dhazo

Local: Quintas da Prosperidade

Resumo do Procedimento da Coleta dos Dízimos:

Dos 292 nomes listados no registro de dízimos:

  • 120 cidadãos pagaram os 30% requeridos de seus salários
  • 127 cidadãos fizeram pagamentos parciais com promissórias de débito (vide o Livro-Razão de Débitos para mais detalhes)
  • 37 cidadãos optaram pela flagelação pública e servidão contratual
  • 8 cidadãos se recusaram a pagar — como pedido, seus bens serão confiscados, bem como os de suas famílias, para redistribuições após absoluções

Total dos Dízimos da Semana:

  • 6.890 zinos em moedas
  • 37.503 zinos em promissórias
  • 8.143 zinos em propriedades e bens cedidos (vide valores estimados nas observações abaixo)

Bens e Propriedades 1: Qtd 3 – Juntas de bronze, com espinhos. Valor: 37 zinos
Bens e Propriedades 2: Qtd 12 – Incensários pequenos de prata com uma beirada de ouro. Valor: 155 zinos
Bens e Propriedades 3: Qtd 1 – receptor de ouvido Dimir, encantado. Valor: 109 zinos
. . .

Hoje, depois do jantar, eu mostrei ao meu pai o dinheiro que eu surrupiei dos dízimos. Quase quinhentos zinos. Eu praticamente via o ouro refletido em seus olhos vidrados. Ele limpou uma lágrima antes que ela caísse, e depois me puxou para um abraço apertado.

“Duzentos e quinze zinos a mais do que na semana passada! Minha garotinha está crescida!” Disse ele, beliscando afetuosamente minha bochecha. Me senti orgulhosa em contribuir com os cofres da minha família, que andam minguando. A vida anda difícil, até mesmo antes da alta nos dízimos de Orzhova.

Há alguns anos, uma série de investimentos ruins obliterou boa parte da herança de Papai. Ele foi até nossos espíritos ancestrais em busca de um empréstimo das fortunas enormes que eles mantiveram consigo mesmo no pós-vida. Admitir o fracasso acabou com ele, e nós todos tivemos que passar pelos olhares de desprezo dos ancestrais quando nos visitam no Dia dos Indultos ou na Véspera dos Cômputos. Mas o que Papai trouxe de volta era pior ainda do que estar sobrecarregado com dívidas. Ele voltara para casa com a verdade: não havia fortuna da família. A riqueza de nossos ancestrais estavam ligadas fortemente aos cofres do Conselho Fantasma, e quando eles bateram as botas, o dinheiro foi junto. Nossos espíritos ancestrais mantiveram as aparências de sua afluência esse tempo todo, quando na verdade eles tinham apenas uns poucos milhões de zinos em seus nomes, e não podiam ceder nem um pouco.

Eu fiquei ressentida, mas Papai compreendeu mais do que eu consegui. Manter as aparências era importante para nós também, e tão caro quanto. Não ousamos empregar menos do que três servos, pois os Oligarcas podiam ficar sabendo. Como pontífice, Papai só tinha contato ocasional com eles, mas ficar à sombra dos Oligarcas é um privilégio que muitos aspiram. Não podemos arriscar perder nossa posição social, então todos da família estão ajudando. Eu contribuo coletando dízimos.

“Eu sabia que você tinha jeito pra coisa,” disse Papai, enfiando o dinheiro em um de seus bolsos profundos. “Eu não falei que ficaria mais fácil?”

Puxa um zino aqui, outro ali. Remendar os livros-razão. Todo coletor de dízimos faz isso.

Só que eu não conseguia. Eu sei que foi o único motivo pelo qual Papai me colocou nessa profissão. Um dia de trabalho honesto por cada dia honesto tirando das beiradas, dizia ele, gargalhando. Mas eu não via alegria alguma em tirar dinheiro das pessoas, mesmo que a nossa família estivesse precisando, porque todas essas famílias tinham muito menos do que nós. Então eu arranjei um segundo emprego, dando assistência para um mago da carne. Fazer thrulls não é um ramo de trabalho muito glamouroso, mas paga bem e eu trabalho direito. Se meus pais descobrirem, vão falar por toda a eternidade — como magia de carne está abaixo da nossa posição, e se os espíritos da nossa família descobrirem . . . que os deuses nos ajudem.

Eu dou metade do que ganho toda semana para o meu pai. Eu uso a outra metade para ajudar cidadãos que ficam devendo parte de seus dízimos. Não consigo ajudar muito, mas no meu coração eu espero que outros coletores de dízimos estejam fazendo o mesmo.


Data: 11 de Prahz

Local: Travessa do Oligarca, Sul

Resumo do Procedimento da Coleta dos Dízimos:

Dos 402 nomes listados no registro de dízimos:

  • 34 cidadãos pagaram os 40% requeridos de seus salários
  • 339 cidadãos fizeram pagamentos parciais com promissórias de débito (vide o Livro-Razão de Débitos para mais detalhes)
  • 34 cidadãos optaram pela flagelação pública e servidão contratual
  • 29 cidadãos se recusaram a pagar — como pedido, seus bens serão confiscados, bem como os de suas famílias, para redistribuições após absoluções

Total dos Dízimos da Semana:

  • 1.890 zinos em moedas
  • 68.667 zinos em promissórias
  • 22.852 zinos em propriedades e bens cedidos (vide valores estimados nas observações abaixo)

Bens e Propriedades 1: Qtd 4 – Pedras dos Indícios, encantadas. Valor: 67 zinos
Bens e Propriedades 2: Qtd 2 – Insígnias, em mau estado. Valor: 55 zinos
Bens e Propriedades 3: Qtd 12 – Um litro de sangue humano pasteurizado. Valor: 109 zinos
. . .

Papai chegou em casa com o humor azedo; mais um de seus esquemas de enriquecimento rápido dera errado. Muito errado pelo estado da perna dele, que agora é um monte retorcido de carne de thrull cinza-azulada. Eu tentei ficar perto dele o suficiente para fazer magia de carne sem que ele notasse, mas ele estava irritadiço, batendo pés pela casa toda. A máscara dourada do thrull presa sob o pé dele batia com tanta força contra o chão de mármore que chegou a derrubar as bonecas de porcelana na cristaleira de Mamãe. Papai xingava o Conclave Selesnya, dizendo que eram um bando de comedores de aveia, zelotes vestindo folhas após lavagens cerebrais, dizendo que derrubará a guilda sozinho para retribuir o que fizeram com ele. Enquanto isso, zibs de cobre iam caindo pelos buracos dos bolsos dele. Enquanto ele reclamava, consegui subentender que o plano incluía uma máquina Izzet e... vormes. Parecia interessante, mas resolvi não me intrometer.

É melhor evitá-lo quando está com seus humores.

Uma coisa interessante aconteceu hoje no trabalho com o Mago da Carne Jarek. Eu estava ocupada trabalhando com um cadáver quando ouvi a voz dele na sala de cômputos.

“Silêncio,” disse ele. “Seus pedidos são inúteis agora.”

Uma mulher estava implorando pela própria vida, o que não era novidade. Todos os devedores faziam isso. Mas então ela disse: “Eu tenho informações sobre uma vulnerabilidade em Vitu-Ghazi. Eu só preciso conferir com o meu gerente, e vou receber um pagamento justo. E aí vou poder pagar todas as minhas dívidas!”

Curiosíssima, deixei a carne que trabalhava cair no chão em um monte indistinguível, quase derrubando uma pilha de rótulas de joelhos enquanto corria até a porta. Quando espiei para dentro da sala de cômputos, vi uma mulher usando robes selesnyanos finos, e o material leve parecia um sussurro contra a pele. Mas os movimentos dela estão broncos e precipitados, me pegando de surpresa. Quando eu era mais jovem, eu sabia no fundo do meu coração que queria ir para os Selesnya. Eu queria estudar seus caminhos e abraçar o poder da “dádiva.” Papai cortou essa ideia pela raiz, então não consegui aprender muito sobre eles, mas eu sabia de uma coisa — selesnyano algum ousaria se embrenhar em dívidas com o Sindicato Orzhov. Eu só posso concluir que ela era uma espiã. Provavelmente dos Dimir.

O Jarek não teve pena dela, e invocou as runas que vivem nos cantos escuros da sala de cômputos. A magia irrompeu dos dedos dele em gavinhas de fumaça preta que começaram efêmeras, mas depois ficaram afiadas como adagas. Ele esfolou a devedora dos pés à cabeça, e assim que o Jarek fez o último corte o espírito começou a flutuar livremente na direção do teto. Antes que pudesse escapar, ele a prendeu a um tomo usando outras magias, e então ordenou que o espírito ficasse na fila com os outros que ele coletara hoje. Uns treze. As coisas estão corridas.

Quando ele me chamou, eu contei até cinco e corri como se não estivesse na porta esse tempo todo. Eu arrastei o cadáver para fora da sala de cômputos, o despi e o limpei com óleos que pausariam sua decomposição. Consultei meus diagramas para descobrir que formas eu precisaria entalhar na carne. Tínhamos um pedido para fazer um thrull do tesouro. Criar uma fera de seis toneladas é um quebra-cabeça, e costuma levar mais de quarenta corpos de humanoides - mas eu me ensinei a fazer com trinta e três. O truque é medir duas vezes, e conjurar uma vez . . . não é um segredo muito grande, mas é surpreendente a quantidade de magos que começam a invocar magia sem planejamento. Eu conseguiria fazer outro thrull com as sobras deles.

Mas quando eu comecei a desenhar os moldes com um grafite, meus olhos ficavam de olho nos lindos robes selesnyanos dobrados no chão.

Eu rezei para que meus espíritos ancestrais mandassem embora aquele pensamento rebelde.

Um dos diabretes thrull que eu montei hoje miou, e seus olhos pulavam de mim para os robes, como se soubesse o que eu estava pensando.

“Eu não devia . . .” disse eu. Seria impróprio ficar com as roupas. Elas são de Orzhova agora, só mais uma propriedade cedida para registrar no livro-razão:

Bens e Propriedades 12.542: Qtd 1 – Robes selesnyanos de seda. Valor: 68 zinos

Ninguém sentiria falta. Eu enfiei os robes na minha bolsa de couro.

Talvez eu não seja tão ruim nisso.


Lendo aquela entrada novamente eu notei que fiz meu pai parecer uma pessoa horrível, mas ele é maravilhoso em todas as maneiras que importam. Em nossas épocas de fartura, ele contribuía com as artes, encomendando retratos em vitral de ancestrais, que estão pendurados nas janelas da nossa sala de jantar. Ele investira em várias empresas pequenas, incluindo uma que fabricava um gerador de chave rúnica que mudou o cenário da segurança em Ravnica. E Papai tem a paciência de um santo comigo. Quando nova, eu tive uma fase um pouco rebelde . . . enquanto eu ainda tentava descobrir quem eu era e a que parte do mundo eu pertencia. Eu pintei o cabelo de todas as cores do arco-íris (menos verde, é claro . . . Papai nunca aceitaria aquela cor na casa dele), e ele nem ligou, passeando comigo pela nossa basílica enquanto minha mãe se acovardava a dez passos de distância, com vergonha de ser vista andando comigo pelas senhoras do seu círculo social. Eu era pequenina sob o volume daqueles arcos intimidantes, mas caminhando ao lado de Papai com aquele sorriso no rosto, eu me sentia como uma gigante. Ele me apoiou em tudo o que eu pudesse imaginar, e é por isso que eu estou disposta a negar esta parte de mim, por ele.

Mas, através dele, eu pude ver o bem que nossa guilda faz, e os Orzhov são o suficiente para mim.


Data: 26 de Prahz

Local: Vila da Penitência

Resumo do Procedimento da Coleta dos Dízimos:

A coleta de dízimos foi temporariamente suspensa devido aos tumultos. Reforços do Décimo Distrito estão sendo trazidos para ajudar na pacificação.

Bom, eu tive uma tarde de folga inesperada, e não estava feliz em voltar ao trabalho amanhã. Os cidadãos não estão contentes com outro aumento nos dízimos, e estou cansada de limpar o sangue de todos os cantos e sulcos da minha armadura.

Papai saiu para ver um dono de doca para falar sobre um possível investimento, e minha mãe estava no seu clube social, então eu pensava que teria a casa toda para mim, hoje.

Não demorou muito para que meus pensamentos voltassem aos robes selesnyanos escondidos embaixo do meu colchão. Eu fui prová-los, só para saber a sensação. Ficou tão bem em mim, e comparado com a armadura que me acostumei a usar, parecia que eu estava vestindo nuvens. Eu imaginei filigranas de folhas descendo pelos meus braços, meus cabelos amarrados para cima com uma vinha trançada, com flores e frutinhas para enfeitar. Eu saltitei pela sala e fiz uma mesura na frente da cristaleira pomposa de Mamãe, fingindo que era Vitu-Ghazi. Eu dancei como se fosse o vento passando pelas folhas de uma árvore — como se eu estivesse livre de ter que confiscar os bens que as pessoas trabalharam até o osso para conseguir, e livre de confiscar os ossos em si.

E então, a porta da frente fechou com força. Meu pai estava em casa, e a julgar pelo fedor pantanoso que trouxera com ele, eu sabia que não seria nada bonito. Eu tentei me libertar daqueles robes traiçoeiros, mas as amarras nas costas estavam firmes demais. Sem opções, eu me espremi entre as sombras, vendo-o caminhar iradíssimo, reclamando sozinho que quase fora esmagado por um caixote de uísque. Ele arrancou sua capa encharcada, que carregava restos de naufrágios.

“Miri!” Chamou ele na direção do meu quarto, gritando como se eu ainda estivesse lá. “Miri! Venha aqui.”

E então os olhos dele finalmente se ajustaram à luz fraca, e ele me viu.

Eu nunca o vi tão bravo. A voz dele fez os caibros tremerem, fazendo chover poeira. Usando robes selesnyanos na casa dele? Eu seria deserdada. Então eu me virei com uma desculpa, qualquer desculpa.

“Eu cheguei em uma informação, Papai, de que Vitu-Ghazi tem uma vulnerabilidade.” Eu engoli em seco. “Estou me disfarçando para tentar encontrá-la, e se for o caso nós podemos explorar essa vulnerabilidade e ter todos os Selesnya implorando pela nossa clemência!”

“Onde você conseguiu essa informação?” Chiou ele, com os olhos ainda apertados. “Não parece algo que se ouve como coletora de dízimos. Vou falar com seu comandante.”

Eu agarrei a camisa ainda encharcada dele, e percebi que teria que revelar que estava trabalhando com magia de carne. “Não é uma tarefa que veio do meu comando. Eu ouvi a informação de uma espiã, com meus próprios ouvidos.”

“Mas de onde?”

“A espiã estava implorando pela própria vida, logo antes de tomarem seu espírito. Eu . . . ando trabalhando para um mago da carne no meu tempo livre.”

A cara dele não se amainou. Ao invés de ajudar na minha causa, acabei de desafiá-lo duas vezes. Se eu fosse recuperar a confiança do meu pai, eu realmente precisaria vender a ideia.

“Papai, você acha mesmo que eu vestiria estes trapos embaraçosos se não achasse que essa informação poderia nos abençoar com riquezas além da conta? Eu vejo como você e a Mamãe estão passando dificuldades, cedendo sua própria felicidade para garantir a minha. Assim que eu ouvi falar dessa vulnerabilidade dos Selesnya, eu só conseguia pensar em como poderia usar a informação para aumentar a prosperidade Orzhov. Os coletores de dízimos me treinaram em intimidação e combate. Você me ensinou a manipular o sistema para o bem da nossa família. Por favor. Deixe eu tentar.”

Os olhos dele se amainaram. Ele mudou a postura, e os músculos tensos passaram para braços abertos, esperando um abraço.

Eu plantara a semente da fortuna na cabeça dele, e quando ele olhou para mim usando aquelas vestes, ele não viu mais uma traidora, mas sim uma sucessora apta a restaurar a riqueza da família.

Não sei ao certo qual dos dois me assusta mais.


Data: 7 de Mokosh

Local: Complexo dos Iniciados

Eu cheguei! Dia de orientação Selesnya.

E agora eu tenho um diário de verdade, feito de papel de palmeira abençoado duas vezes, com flores amarelas pequeninas pressionadas à polpa. As páginas são quebradiças e grossas demais para virar direito, e em algumas partes ela parece repelir minha tinta . . . mas é lindo e é meu, e não preciso mais escondê-lo. Na verdade, os anciãos incentivam que façamos diários dos nossos sentimentos sempre que precisarmos.

Planície | Ilustração: James Paick

Nossa turma tem a força de trezentos iniciados. Danika, Caz e Vasil estão no meu grupo de desenvolvimento. Caz e Vasil não estão em uma guilda. Danika trabalhara como encarceradora Azorius, mas depois da carnificina da rebelião em Udzec e a repressão que se passou, ela teve uma crise de nervos e decidiu que precisava mudar o cenário. Nosso grupo de desenvolvimento é conectado a outros quatro, como vagens que formam um caule de suporte; esse suportes se ligam a troncos de enriquecimento e também tinha um sistema de raízes mas eu já tinha me distraído do discurso do ancião, porque o odor coletivo das nossas trezentas axilas começaram a gritar obscenidades para o meu nariz.

Nós tínhamos tomado um banho quente de frutas e óleos antes de nos vestirmos com nossos robes recém-lavados. O cheiro era divino na hora, mas aparentemente esses cosméticos botânicos não faziam nada contra o suor, e o fedor começou a aparecer em nossos cantos úmidos. Um dos iniciados teve a audácia de erguer a mão para reclamar.

O ancião disse que o cheiro era parte da nossa “aura natural”, e prometeu que logo nos acostumaríamos.

Danika passou um pequeno frasco pelo nosso grupo, e cada um de nós passou um pouco de óleo fragrante sob os narizes para conseguirmos ouvir às instruções de oração atentamente.


Data: 12 de Mokosh

Local: Assembleia do Conclave

Quase me sinto mal por dizer isso, mas já sinto saudades de casa. Claro que o Sindicato Orzhov tem seus problemas, mas nossa higiene é impecável e nosso papel não entra em colapso espontâneo se você olhar para ele por muito tempo. E eu nunca apreciei tanto o dinheiro quanto eu aprecio agora. Por exemplo, ontem, quando descobri que estávamos sendo chamados para assistir nossa primeira Bênção Coletiva, soube instantaneamente que devia aparecer usando algo mais deslumbrante do que meus robes roubados. Depois de quase uma semana usando somente eles, já estavam começando a ficar feios, mas não há nenhum alfaiate perto do complexo dos iniciados a pé, apenas algumas costureiras que trabalham de casa.

Mas eu encontrei exatamente os robes que queria, sedas lindas e fluidas bordadas com folhas em fio de ouro. Minha carteira praticamente pulou do meu bolso quando vi. O trabalho dela era magnífico. Celestial. Não consegui me impedir de pensar como o negócio dela seria lucrativo com a ajuda de um investimento forte. Ela podia comprar as dívidas de uma meia-dúzia, que fariam as costuras. Ela conseguiria triplicar os lucros no primeiro ano, expandir sua marca, comprar uma venda na Rua do Estanho, atrair mais investidores ainda, e então . . .

. . . Mas esse não é o jeito dos Selesnya. Para piorar as coisas, a costureira só trocaria os robes por uma chaleira de cobre, ou tesouras de poda lixadas com bandu. Imaginei que uma chaleira de cobre seria mais fácil de conseguir, já que eu não fazia ideia do que fossem tesouras de poda lixadas com bandu. Eu fui ver um ferreiro que queria quatro meias tricotadas pela chaleira. A única tricoteira que encontrei por perto queria um quilo e meio de pêlo branco de lobo. (Eu não ousei perguntar para quê.) Encontrei uma ginete de lobo enferma que queria que alguém passeasse com seu filhote. Eu passeei com o lobo (Nem de perto um filhote). Entreguei o pêlo para a tricoteira, e as meias para o ferreiro. Estava quase entendendo como funcionavam as permutas, apesar de ter andado de um lado para outro a manhã inteira ao invés de estudar, e pra falar a verdade, minha aura pessoal estava fedida.

Então eu fui me limpar antes de voltar à costureira, já que sabia que não teria tempo de fazê-lo antes da assembleia da Bênção Coletiva. E então eu bati na porta dela, e quando ela atendeu eu estendi a chaleira para ela, linda e polida, sem conseguir conter um sorriso convencido. “Eu gostaria de permutar isto aqui por aqueles robes, por favor.”

Ela abriu o sorriso mais bondoso, e disse: “Mas por que eu teria utilidade em duas chaleiras?” E eu ouvi uma chaleira apitando casa adentro, trocada por outra pessoa uns vinte minutos antes. Minha cabeça doía. Meu coração, também.

Quando voltei para o meu grupo, a Danika viu minha frustração e me emprestou um xale que mudou minhas vestes completamente. Chegamos atrasadas às Bênçãos, então sentamos no fundo para que o xamã não nos notasse. Ficamos cansadas após a terceira hora de cânticos, e começamos a passar bilhetes. Perguntei se ela iria comigo até Vitu-Ghazi amanhã. Ela parecia estar se encontrando melhor do que eu dentro do Conclave, então o apoio dela seria bem útil. Ela concordou, e quando nosso bilhete desintegrou nós mal conseguimos conter o riso.

Eu sabia que as chances de encontrar a vulnerabilidade em Vitu-Ghazi eram poucas. Eu sabia que uma decepção esperava pelo meu pai. Talvez nunca recuperemos a fortuna da família, mas pelo menos eu poderei dizer que fiz um esforço e tentei. E talvez com o aniversário chegando ele consiga esquecer desse plano tolo. No Sindicato os aniversários são celebrados com colares de moedas, e todo ano os Oligarcas que Papai passa tanto tempo tentando impressionar vão banhá-lo com riquezas. É claro que os colares são apenas badulaques para os Oligarcas, mas essa generosidade poderia nos manter desafogados por meses, talvez até um ano.

Quando eu era criança e o dinheiro de aniversário era só para diversão, eu o ajudava a cortar o barbante onde vinham as moedas, e empilhá-las. Ele doava metade para a igreja como era o costume, e a outra metade ele gastava nas corridas de dromedário, tentando transformar uma ninharia em fortuna. Ele sempre me levava. Eu sentava no colo dele, mas sempre caía quando ele ficava de pé em uma enxurrada de emoção — agradecendo aos espíritos por uma aposta vencedora, ou amaldiçoando-os por uma aposta que perdera. Acontecia mais da segunda.

Todo ano, ele voltava para casa com os bolsos vazios e um sorriso grande no rosto, dizendo como tinha ficado pertinho assim de ganhar tudo, e como um dia não teria nada que eu pedisse e ele não poderia me dar, beliscando minha bochecha e encontrando uma última moeda atrás da minha orelha.

Agh. Essa assembleia de Bênçãos bateu quatro horas. Meu bumbum está dormente. Pelos deuses, eu sinto saudade de casa.


Data: 13 de Mokosh

Local: Complexo dos Iniciados

Hoje nós aprendemos uma mágica de crescimento. Todos meus companheiros de grupo parecem ter encontrado “a dádiva”, e conseguiram conjurar o crescimento de sementes para plantas saudáveis. Eu passei o tempo todo rezando para os espíritos dos ancestrais para que alguma coisa acontecesse, qualquer coisa, até que o ancião chegou com suas meditações e viu meu pote de barro triste cheio de terra e nada mais.

“Você tentou a Canção de Vitu-Ghazi?” Perguntou o Vasil, com o cenho preocupado.

Eu sacudi a cabeça. Passei a manhã de ontem procurando uma chaleira, então não tive a chance de praticar. O Vasil me explicou o canto, e quando eu tentei até consegui ver a terra se mexendo um pouquinho, mas as sementes não brotaram. Eu cavei e as segurei na palma da mão. As sementes, que eram brancas e cheias, tinham amarronzado e mirrado.

“Não se preocupe,” disse o Caz, pressionando sementes novas no vaso. “A invocação centelha de sementes não falha.” Ele me deu um empurrãozinho de incentivo. “Eles não ensinam para os iniciados porque é simples demais, e daí não se preocupariam em aprender os cantos.” E então o Caz fez uma espiral com os dedos, juntou um orbe de magia verde e pulsante, e o salpicou no vaso. A suculenta que ele plantara dobrou de tamanho.

Eu tentei fazer o mesmo e quando salpiquei a magia na terra, três brotos irromperam da terra. Por um momento eu fiquei em êxtase, mas elas mirraram igual às sementes.

Quando meu grupo ficou sem ideias, algumas pessoas do nosso caule de suporte tentaram ajudar. Quando as ideias deles falharam, consegui conselhos de um dos iniciados do nosso galho de enriquecimento que tinha nivelado acima com aulas de encantamento. Mas nada deu certo, e o ancião estava chegando a qualquer momento. Eu me perguntei se tinha tocado em coisas mortas demais, e nunca conseguiria fazer algo crescer.

Mas a Danika não desistiu de mim. Ela me ajudou com os cantos até que o ancião estava quase chegando, e no último segundo ela trocou o pote dela com o meu.

“Bom trabalho,” disse o ancião para mim, apertando as folhas e testando a firmeza delas. “Muito bom.” E então ele olhou para o vaso de Danika e franziu o cenho ao ver os brotos mirrados. “A dádiva vai encontrar você eventualmente,” disse ele. “Mas eu gostaria que você passasse o restante do dia em meditação curativa.”

Depois, perguntei por que ela fez aquilo por mim. Ela disse que sabia como eu queria ver Vitu-Ghazi hoje, e se não podíamos ir juntas, pelo menos eu conseguiria ir sozinha. Eu não sabia o que dizer. Eu estava absolutamente impressionada com a generosidade e sacrifício dela, e pela bondade de todos que tentaram me ajudar.

Então eu visitei o Salão da Guilda sozinha, e quando parei na frente dele, eu fiquei maravilhada com a árvore do mundo, tão imensa. Vê-la pessoalmente foi lindo e triste ao mesmo tempo. Ela era tão perfeita, tão serena, e a arquitetura orgânica espiralada em torno dela parecia mais ter sido feita de fumaça do que de pedra. Mas eu sabia que amanhã voltaria para casa de mãos vazias, para enfrentar a decepção do meu pai. Todos esses sentimentos sumiram quando algo zumbiu na minha coxa. Encontrei um bolso nos meus robes. Eu não tinha notado ele antes. Na verdade, eu tinha quase certeza de que ele não estava lá. Quando eu coloquei a mão no bolso, fios de magia desfeita sumiram. De repente, o bolso parecia pesado, repuxando meus robes para um dos lados.

Eu conferi se não tinha ninguém olhando, e depois puxei o item. Era um artefato . . . selesnyano. Ele pulsava na minha mão, e quando eu o ergui na direção de Vitu-Ghazi, uma verdade chocante foi revelada. A grande árvore tinha sido restaurada após um ataque de um senhor mago dos Izzet, mas parece que algumas das emendas eram superficiais. Sob a casca, eu consegui ver como a árvore do mundo estava frágil, com fissuras de estresse correndo pelos galhos, ocultas sob escoras de suporte que mal conseguiam aguentar todo o peso. Um ataque bem coordenado poderia derrubar a estrutura inteira para sempre, desta vez.

Esse artefato valeria milhões para os Orzhov. Dezenas de milhões. Talvez mais. Nossa família seria tirada do desespero, e o orgulho que o meu pai teria de mim brilharia mais do que o próprio sol.


Data: 14 de Mokosh

Local: Meu Quarto

Ontem à noite eu vim apressada lá do Conclave, louca para contar o que acontecera para o meu pai. Eu abri a porta com força, resfolegante e suada. Antes que eu pudesse abrir a boca, meu pai mal viu o estado em que eu chegara e chamou os criados para me prepararem um banho com sabões perfumados, buscarem algo melhor para eu vestir, e preparar uma refeição orzhoviana decente. Só então ele aceitou ouvir as notícias que eu trouxe. Ele mandou um bilhete para buscarem minha mãe no clube de senhoras. Quando ela chegou em casa, me bajulou muito, tirando os galhinhos e caules de frutas do meu cabelo como se fosse uma mamãe loba embelezando a pelagem da sua filhote.

“Como eu estava com saudade, Miri,” disse ela, e pela primeira vez parecia que o meu nome era uma canção saindo dos lábios dela. Qualquer vergonha que ela sentira de mim se dissipara. “Essa casa não estava igual sem você. Seu pai estava insuportável, se gabando para quem quisesse ouvir sobre a coragem da filha dele.”

O aroma de estrogonofe subia. Depois de uma semana comendo aveia com frutas secas, eu estava praticamente me babando toda. Isso tirou minha atenção, mas a mão da minha mãe puxou meu queixo de volta para olhá-la diretamente de frente.

“Eu sei que a sua viagem até os Selesnya era apenas um ardil. Você tem aquela guilda no coração desde que era criança. A mãe sempre sabe. Só diga ao seu pai que encontrou isto aqui.” Ela me entrega um artefato — uma coroa de ouro delicada que irradia uma luz branca e suave. “Diga a ele que você afanou isso aqui dos salões de Vitu-Ghazi. Invente uma história maravilhosa, e ele vai ficar saciado dessas fantasias de fortuna por um tempo.”

Quando ela falou isso, eu mal conseguia esperar para fazer uma revelação maior ainda no jantar. Os espíritos dos ancestrais vieram nos ver, amuados com a mesa farta que eles sabiam que não poderíamos pagar. Contei minha história e meu pai se prendeu a cada palavra. Ele gargalhou quando contei do papel horroroso, e da manhã que passei permutando. Minha mãe sorriu com pequenas rugas de orgulho no canto dos olhos. Foi então que eu notei quanta riqueza minha família já tinha. Não pelas moedas nos nossos bolsos, mas pelo amor que tínhamos uns pelos outros dentro dos nossos corações. Também pensei nos amigos que fiz no Conclave. Nos laços profundos que fizemos em tão pouco tempo. Laços que ainda não estou pronta para abandonar.

Quando eu cheguei na parte sobre Vitu-Ghazi, algo inesperado saiu da minha boca. Eu não contei sobre a vulnerabilidade, e que a nossa família estava destinada a compartilhar de uma verdadeira fortuna. Ao invés disso, eu entreguei para o meu pai o artefato que minha mãe tinha me dado.

“A Coroa da Convergência? Miri, isso vale milhares!” Meu pai retumbou e puxou a mim e a minha mãe para um abraço apertado, e enquanto isso minha mãe e eu tivemos um momento com sorriso só nosso.

“Fiz tudo isso por você, Papai. Queria te deixar orgulhoso.”

“Ah, Miri. Eu sempre tive orgulho de você,” disse ele. “E não há riqueza nesse mundo que mudaria o fiel da balança contra o amor que tenho por você.”

Esta será a última entrada no meu diário selesnyano. Eu também não quero que meu pai o encontre, apesar de eu duvidar que o papel dure mais do que alguns meses guardado, especialmente já que minhas lágrimas já estão transformando o papel em pasta.


Data: 29 de Mokosh

Local: Travessa do Oligarca, Norte

Resumo do Procedimento da Coleta dos Dízimos:

Dos 614 nomes listados no registro de dízimos:

  • 551 cidadãos pagaram os 18% requeridos de seus salários
  • 65 cidadãos fizeram pagamentos parciais com promissórias de débito (vide o Livro-Razão de Débitos para mais detalhes)
  • 5 cidadãos optaram pela flagelação pública e servidão contratual
  • 0 cidadãos se recusaram a pagar

Total dos Dízimos da Semana:

  • 68.417 zinos em moedas
  • 3.670 zinos em promissórias
  • 2.852 zinos em propriedades e bens cedidos (vide valores estimados nas observações abaixo)

Bens e Propriedades 1: Qtd 3 – Runas, encantadas. Valor: 67 zinos
Bens e Propriedades 2: Qtd 1 – Insígnia, em péssimo estado. Valor: 75 zinos
Bens e Propriedades 3: Qtd 12 – Jarros com guano de morcego. Valor: 205 zinos
. . .

Eu voltei ao trabalho, e as coisas estão melhores agora. Felizmente eu não vi a pior parte dos levantes, e a calma voltou às ruas agora que o Sindicato concordou com um dízimo bem razoável de dezoito por cento. Eu não tive que lavar sangue da armadura em mais de um mês.

O aniversário de Papai foi na semana passada. Como esperado, ele trouxe para casa uma pequena fortuna em colares de moedas, mas ele disse que o melhor dos presentes foi o que eu tinha dado.

“É uma árvore encantada que dá dinheiro,” disse eu, presenteando-o com o vaso de barro. Ele olhou para a muda e franziu o cenho. Ele estava prestes a gritar sobre não querer nada verde dentro de casa, mas eu coloquei a mão no solo e puxei uma moeda de ouro.

Os olhos dele brilharam.

“Eu surrupiei de uma propriedade cedida ontem,” disse eu. “Ela produz uma moeda por noite.”

Desde então, meu pai cuidou com carinho daquela árvore — regando, vendo se ela está tomando sol e até conversando com ela quando ele acha que ninguém está ouvindo. E toda noite, depois que o meu pai caiu no sono e antes de sair sorrateiramente para trabalhar com magia de carne até de manhãzinha, eu coloco uma moeda de ouro no solo para que ele encontre.

Ter aquele vasinho na nossa casa me enche de serenidade e esperança. Agora é apenas uma muda que ele permitiu nas nossas vidas, mas logo ela ficará pronta para tirar as raízes desse pequeno pote, e eventualmente, eu também estarei.


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