A Classe do Mundo

Posted in Magic Story on 29 de Novembro de 2017

By Mark Rosewater

Working in R&D since '95, Mark became Magic head designer in '03. His hobbies: spending time with family, writing about Magic in all mediums, and creating short bios.

“Bom dia, turma!”

"Bom dia, professora Skiffle!"

“Hoje é o primeiro dia das nossas apresentações. O assunto do dia é o governo. Quando eu chamar seus nomes, quero que vocês se levantem e venham para a frente da classe. Lembrem-se de começar se apresentando e anunciando qual será o seu tópico de apresentação. Vou dar nota com base na apresentação, no conteúdo e na sua habilidade de responder às perguntas. Quero lembrar a todos que, como plateia, preciso que se comportem muito bem. Ok, vamos começar. Martina?"

"Oi, gente! Eu sou a Martina e hoje eu vou falar sobre a Carta Scientiae. É o documento mais antigo de toda Bablóvia! O nome significa 'Tratado de Ciência'. A frase mais famosa dele é: ‘Não podemos entender nada se, primeiro, não entendermos o mundo à nossa volta.’. Basicamente, ele diz que a ciência é super importante. Tipo muito, muito importante mesmo. Tanto que o documento tem um monte de regrinhas pra explicar como cada tipo de ciência pode formar o seu próprio governo!

"Eu acho que a ideia era que os governos seriam formados em torno das ciências básicas: química, física, biologia e tal. Mas infelizmente a pessoa que escreveu o documento não entendia muito a natureza humana. Ao invés de incentivar as pessoas a apreciarem a ciência como um meio de ver o mundo, ele transformou a ciência numa ferramenta de controle das pessoas. Então, agora a gente tem cinco governos bobocas, um mais doido do que o outro, e todos abraçam a ciência insana como se fosse virtude."

“Martina, o trabalho é trazer os fatos, e não escrever um editorial.”

"Ah, é mesmo? É pra isso, então, que serve a escola? Pra fazer a gente marchar no ritmo das mentiras predeterminadas que deram pra gente de colherinha desde que a gente era criança?"

"Por favor, você pode se ater apenas aos fatos?"

"Quer os fatos? Ok. A Carta Scientiae foi um documento importante que reformulou Bablóvia e a transformou em um mundo obcecado com a última novidade. Você quer se transformar em uma máquina, ou num animal, espionar o vizinho, ameaçar o vizinho, ou só explodir o vizinho? Tá com sorte, porque tem um governo pra você. E caso você tente questionar se isso é legal, sempre tem um brinquedinho novo pra distrair você."

"Martina, o que você acha do impacto que a Carta Scientiae teve?"

"Ah, mudou tudo. Pra pior! Fim da apresentação!"

"Não, Martina, você tinha que... Tá, tudo bem. Vamos prosseguir para a próxima apresentação. Anabelle?"

"Olá, meu nome é Anabelle e eu vou falar sobre a estrutura do governo, ou tecnicamente do meta-governo. A Bablóvia é atualmente conhecida como uma pentarquia. Uma pentarquia consiste em cinco organizações distintas, cada uma com seu próprio governo e governante, reunidas em um grupo. As cinco organizações que formam Bablóvia são a Ordem da Engenhoca, os Agentes do E.S.P.I.A., a Liga do Apocalipse Apoteótico, os Explosioneiros Goblins e os Laboratórios Híbridos. É interessante notar que cada organização segue uma forma diferente de governo.

A Ordem da Engenhoca é uma tecnocracia, ou seja, um governo liderado pela tecnologia. Seu líder é o Grande Calcutron, uma máquina que rege a Ordem com autoridade absoluta. Toda decisão sobre como a organização funciona é determinada pelo Grande Calcutron. De acordo com constituição da Ordem, se uma pessoa, máquina ou tecnologia de habilidade maior se revelar, ela será designada como líder imediatamente. Nenhuma pessoa ou objeto desafiou o Grande Calcutron pela liderança da Ordem da Engenhoca até hoje.

“Os Agentes do E.S.P.I.A. são uma cleptocracia, ou seja, um governo liderado por ladrões. Seu novo líder desde a semana passada é Phoebe, auto-proclamada Diretora do E.S.P.I.A. De acordo com o estatuto do E.S.P.I.A, quem estiver na posse da Régua Dourada se torna líder da organização. Isso levou a uma série de golpes pelo governo (dezesseis no último ano), apesar de a maioria ter sido arquitetada pelas mesmas três pessoas. As mudanças são atribuídas, na maioria, a uma figura misteriosa conhecida como X, que recebe pagamento de fontes diferentes para roubar a Régua Dourada.

X
X | Ilustração: Dmitry Burmak

"A Liga do Apocalipse Apoteótico é uma oligarquia, ou seja, um governo controlado por um número reduzido de pessoas. O grupo que está atualmente no controle da Liga é uma cabala conhecida como a Legião do Mal. Seus membros são o Barão Vis Conte, A Grande Ideia, Grusilda e Mary O'Kill. A Legião do Mal teve sua equipe alterada significativamente ao longo dos anos. A própria cabala regente mudou diversas vezes na história da Liga. Antes da Legião do Mal, era a Sociedade Vil. Antes da Sociedade Vil, era o Clã da Crueldade. Antes do Clã da Crueldade, eram os Homens Malignos.

“Os Explosioneiros Goblins não têm um governo, ao menos nada que alguém que não seja goblin reconheça como tal. É em parte uma cratocracia, o governo dos fortes; parte caquistocracia, o governo dos bobos; e parte democracia. Às vezes, um goblin faz algo ousado e os outros simplesmente seguem. Em outros momentos, eles até votam. Eles têm uma certa obsessão por martelos, então o lado que promete mais martelos costuma ganhar as eleições. O goblin-alfa atual, que eu não chamaria exatamente de líder, é o Velho Buzzcasca. Ele é bem destrutivo e, portanto, é muito popular entre os Explosioneiros.

“Os Laboratórios Híbridos são uma geniocracia, ou seja, o governo dos inteligentes. Ele é meio que estruturado como uma escola. Os mais inteligentes são professores e líderes. O atual diretor dos Laboratórios Híbridos é o Doutor Julius Morfixórdio. Ele foi um dos primeiros cientistas a aperfeiçoar a tecnologia de enxerto genético que fez com que os Laboratórios Híbridos se separassem para formar seu próprio governo. Ele é quem costuma tomar as decisões políticas mais importantes.

"De acordo com o direito Babloviano, qualquer mudança no sistema geral da lei deve ter a concordância dessas cinco facções. Isso não acontece há muitos anos. A última vez em que isso apareceu nos registros históricos foi quando a Liga do Apocalipse Apoteótico — quando era liderada pelo Clã da Crueldade — chantageou as outras facções com uma máquina que controlava o clima. Isso ocorreu há algum tempo, e os registros do incidente desapareceram; supõe-se que tenham sido roubados pelos Agentes do E.S.P.I.A.. A falta de um órgão governamental único levou cada facção a declarar autonomamente sua área de influência, divididas mais pelo tema do que pelo território geográfico.

“E esta é a minha fala sobre a estrutura do governo.”

"Muito bem, Anabelle. Eu tenho algumas perguntas. Onde você obteve todas essas informações?"

"A Ordem da Engenhoca tem uma biblioteca bem extensa."

"E é de lá que você adquiriu todo esse vocabulário?"

"É, é sim."

"Dos cinco governos, qual você acha que é gerido com mais eficiência?"

“A Ordem da Engenhoca.”

"Qual deles dá mais liberdade ao seu povo?"

"Os Explosioneiros Goblins."

“Se você pudesse trabalhar para um governo, qual deles seria?”

“A Liga do Apocalipse Apoteótico.”

“É mesmo? Por quê?”

"Eu acho que seria divertido fazer parte de uma cabala."

"Certo, obrigada, Anabelle."

"Kareem, você é o próximo."

"Meu nome é Kareem, e eu tenho uma história pra contar. É sobre a criação da Ordem da Engenhoca. A organização foi fundada há 54 anos atrás, por um homem chamado Calvin Grã-neto. Então, ele era uma figura. Sabe, o Calvin saiu de férias e queria comer torrada, porque o homem era desesperado por uma torradinha. Infelizmente, apesar de ele ter pão onde ele estava, ele não tinha uma torradeira. Como a maioria dos habitantes de Bablóvia, o Calvin era inventor — então, quando ele voltou para casa, ele projetou uma torradeira portátil, para levar quando saísse de férias.

“Nas férias seguintes, ele levou sua torradeira portátil, mas ele tinha uma viagem curta para um terceiro lugar, o Porto Arapuca, que é um lugar lindo, se vocês nunca foram, e ele decidiu que não precisaria de torradas nas próximas 24 horas, e então ele deixou a torradeira portátil para trás. Acontece que foi um baita erro, porque logo antes de dormir ele sentiu aquela vontade de comer torrada. Quem nunca, não é mesmo? Depois de pensar e pensar, o Calvin chegou a uma solução bem inusitada: ele substituiu sua mão esquerda por uma torradeira! O Calvin era destro, não usava a mão esquerda tanto assim, então decidiu que trocar a mão por uma torradeira era um bom jeito de eliminar o problema da 'vontade de comer torrada durante as férias.'

"Depois do sucesso que foi a torradeira, o Calvin substituiu a coxa direita por um sistema de refrigeração. Acontece que ele gostava de torrada com manteiga, e quem não gosta, e essa substituição permitia que ele sempre tivesse acesso a manteiga em excelente estado. E isso o levou a trocar seu dedo indicador direito por uma faca de manteiga.

"No que as notícias se espalharam sobre as melhorias que Calvin andava fazendo, ele começou a chamar bastante atenção. Outras pessoas se inspiraram nas histórias da torrada amanteigada sempre à mão, e começaram a fazer melhorias em si mesmos. Mãos, braços, pernas, pés, troncos, toda e qualquer parte do corpo era melhorada com alguma tecnologia funcional. Temos vários Engenhosos na turma, então vocês sabem como é legal. A moda virou um movimento, e o Calvin logo se viu no centro dessa mudança tecnológica e filosófica. Ele formou a Ordem da Engenhoca para dar apoio ao número enorme de pessoas que abraçou essa ideologia do faça-em-você-mesmo.

“Dedicado à Ordem, o Calvin continuou a fazer melhorias nele mesmo ao longo dos anos. Ele trocou o corpo todo, menos a torradeira, a geladeirinha e a faca de manteiga, é claro, por máquinas maiores e mais seriadas que fariam todos os cálculos necessários para que a organização funcionasse de maneira sistemática. Quando ele substituiu mais de 90% do corpo, ele decidiu que também era a hora certa para mudar seu nome. Calvin Grã-neto tornou-se Calcutron Grã-neto, e eventualmente virou o Grande Calcutron. Ele vem liderando o seu povo com sucesso há 54 anos. E aquele homem, que agora é tecnicamente uma máquina, até hoje come torrada sempre que deseja."

"Obrigada, Kareem. Estou curiosa. Por que você acha que tanta gente entrou para a Ordem da Engenhoca? Eu não acho que seja só pelo amor à torrada.”

"Eu acho que elas queriam ajudar as pessoas. É tipo como o Calvin se transformou no Calcutron. A maior parte da Ordem se dedica a ajudar os outros."

"Por que você não falou mais sobre isso, então?"

"Porque o meu pai disse que a parte da torradeira era mais engraçada."

"Certo, obrigada, Kareem. Pode sentar. Próxima: Juanita."

"Oi, pessoal. O meu nome é Juanita e eu vou falar pra vocês hoje sobre os Agentes do E.S.P.I.A. Eles são uma organização secreta de espiões que se dedica a... Bom, ninguém sabe."

"Quer dizer que é segredo?"

"Não, não, não, não, não, não. Eu falei com 34 agentes pra fazer o meu trabalho. Ninguém sabe. Toda vez que eu falava nisso, eles me perguntavam se alguém tinha dito qual era o plano dos Agentes do E.S.P.I.A. Sinceramente, é esquisito que ninguém saiba.”

"Talvez seja segredo e não contaram pra você."

"Eles guardam segredo muito mal. Eu achei o esconderijo secreto deles porque tinha uma placa na frente dizendo 'Esconderijo Secreto'."

"Bom, então nos diga o que você conseguiu descobrir."

"Os Agentes do E.S.P.I.A. começaram como uma rede de compartilhamento de trabalho. As pessoas colocavam no mural o que elas precisavam, e os outros iam lá e faziam, e ganhavam dinheiro. Aqui na Bablóvia as pessoas sempre projetam alguma bugiganga pra ajudar a fazer uma tarefa melhor, né, mas daí a coisa saiu do controle. As pessoas gastavam bem mais dinheiro nas bugigangas do que recebiam pra fazer as tarefas. Aí as pessoas começaram a cometer crimes pra conseguir manter o vício de fazer bugiganga. Aí, quando as pessoas notaram que outras pessoas no mural estavam cometendo crimes, as pessoas começaram a postar pedidos cada vez mais malucos no mural de trabalho, e daí já viu, né - o mural virou a central do crime organizado da cidade."

Despachante do E.S.P.I.A.
Despachante do E.S.P.I.A. | Ilustração: John Thacker

“Juanita, como você ficou sabendo do mural de trabalho?”

"Ele ainda existe. Está na tal base secreta deles. Eu vi. É impressionante, e meio deprimente. Você pode pendurar lá qualquer tipo de tarefa e alguém vai fazer, por um preço. E pode ser qualquer tarefa."

"Talvez seja esse o plano deles."

"Não, o mural de trabalho parece mais um passatempo. Pelo que eu entendi, a atividade mais popular dos Agentes do E.S.P.I.A. é espionar uns aos outros. Eles são bem paranóicos, e são obcecados com parafernália de espião. Eles inventam coisas novas o tempo todo pra espionar mais."

"Então, o que os Agentes do E.S.P.I.A. querem?"

"Olha, além das engenhocas de última geração e dos segredos mais novos, não achei nada. O objetivo número um de todo mundo que eu entrevistei era tentar descobrir o que era pra eles fazerem. Mais ou menos metade deles parecia preocupado que a organização toda fosse só uma pegadinha das outras facções."

"Mais alguma coisa?"

"Eu suspeito que alguns deles estejam espionando a gente agora mesmo, porque eles não acreditaram que eu era estudante. Quem estiver ouvindo, olha, eu sou estudante mesmo."

“Certo. Obrigada, Juanita."

"Haroldo, você é o próximo."

"Meu nome é Haroldo, e meu relatório fala da Liga do Apocalipse Apoteótico. Diferentemente dos Agentes do E.S.P.I.A., o objetivo deles é bem claro, tentar conquistar o mundo. Tã-tã-tã-tããã!”

"E como eles planejam fazer isso?"

"Esse é o grande debate dentro da Liga. Alguns querem matar todo mundo, outros querem escravizar todo mundo, alguns querem assustar todo mundo, alguns querem hipnotizar todo mundo, e alguns querem fazer com que a população dependa totalmente da tecnologia mais recente. Tem praticamente um plano maligno pra cada pessoa dentro da Liga."

"Como a Liga se formou, exatamente?"

"Começou como um grupo de apoio a super vilões, olha que coisa. Um homem chamado Major Monólogo tentou envenenar o suprimento de água da cidade, mas sem querer acabou misturando o veneno com um tratamento de flúor e no final ajudou o povo a ter dentes mais saudáveis. Ele ficou chateado, então convenceu outros criminosos a sair com ele e falar sobre os seus infortúnios. Acontece que super vilões têm uma taxa de erro bem maior do que a de cidadãos comuns. A notícia do grupo de apoio se espalhou, e acabou virando ponto de referência de todos os super vilões..

"O grupo aumentou tanto que começaram a criar reuniões de várias ramificações, tropeços em assaltos a banco, falhas em máquinas de destruição global, acidentes em esconderijos secretos, e por aí vai. Um dos subgrupos — o de mau planejamento de alçapões — acabou se transformando nos Homens Malignos e deu início ao plano supremo para transformar o grupo em uma organização oficial.”

“Atualmente, quais são as responsabilidades da Liga?”

"Eles basicamente supervisionam as licenças para super vilões. Se você quer ameaçar a população de um modo criativo, sequestrar algum bonzinho, ou cometer uma série de golpes com um tema elaborado, tem que passar pela Liga primeiro. Eles têm várias ferramentas pra super vilões, também. Eles começaram um serviço de recrutamento de capangas, um programa de compra coletiva para peças de maquinário, e monitoram o calendário pra garantir que demandas vilanescas que tomem a cidade toda não interfiram umas com as outras."

"Qual informação sobre a Liga te chocou mais?"

"Eles têm um programa de estágio muito bom. Eu acho que nas férias eu vou tentar construir um raio congelante pra Doutora Malevolência."

“Obrigada, Haroldo. Foi bem informativo."

“Sem problemas. Foi uma tarefa divertida. Eu não sabia como a Liga era maneira."

"Ming-na. Sua vez."

“Olá! Eu vim aqui fazer uma apresentação sobre os Explosioneiros Goblins. Ah, meu nome é Ming-na, né, óbvio.”

"Tá tudo bem, Ming-na. Não precisa ficar nervosa. Conte pra gente sobre os Explosioneiros Goblins."

“Tudo começou há muitos anos, com as Indústrias Vapoflageladoras. Naquela época, era só uma siderúrgica. Eles faziam, fundiam e laminavam aço, bem comum. Como era de se esperar aqui na Bablóvia, a demanda de aço era grande, então eles estavam bem ocupados. Pra manter os preços competitivos, eles cortaram medidas de segurança e havia um grande rodízio de pessoal. Isso levou a uma reputação ruim pra fábrica, e eles logo começaram a ter dificuldade em conseguir mão de obra. Foi aí que a diretora da empresa, uma mulher chamada Thorna Grabbler, teve uma ideia radical.

“Ela foi até as montanhas e falou com os goblins. Nessa época, todos os goblins ainda moravam nas montanhas. Diz a lenda que ela juntou uma tribo inteira e mostrou um monte de tecnologias diferentes, na esperança de que eles gostassem de todas as coisas brilhosas. O plano dela funcionou, mas não do jeito que ela esperava. O item que mais fascinou os goblins foi o que ela trouxe pra montar tudo: um martelo. Eles nunca tinham visto um martelo antes, e se apaixonaram. A Thorna contou pra eles que tinha vários martelos e outras tecnologias empolgantes na fábrica, e que os goblins teriam acesso a tudo. O clã inteiro de goblins escolheu trabalhar na fábrica.

"No começo, as coisas funcionaram bem. Os goblins vestiram a camisa no trabalho, e trabalhavam em troca de martelos e sucatas, e era uma fração do que a Thorna pagava para os outros trabalhadores. Mas logo eles começaram a fazer o que goblins costumam fazer: eles começaram a experimentar coisas. A maioria levava a desastres horrorosos, mas de vez em quando eles faziam descobertas bem ousadas. Muitos goblins morreram, mas a reprodução deles é rápida e a população acabou crescendo.

"Houve uma pressão política pra remover os goblins da fábrica, mas a Thorna usou a experimentação deles como um meio de criar uma nova facção política. Ela deixou que os goblins escolhessem o nome, que acabou sendo Explosioneiros Goblins. Ter sua própria facção permitiu que os goblins experimentassem com mais liberdade ainda.

"A superpopulação de goblins, junto com o perigo dos experimentos, levou quase todos os trabalhadores não-goblins a pedir demissão. Logo, a gerência pediu as contas. Os goblins começaram a cumprir essas funções. No final, a própria Thorna saiu. Os goblins tomaram as Indústrias Vapoflageladoras. E as coisas foram ficando cada vez mais bizarras a partir daí. Os goblins pararam de fabricar só aço, e começaram a criar mais e mais aparelhos cheios de detalhes."

"O que as Indústrias Vapoflageladoras fazem hoje em dia?"

“Ninguém sabe direito. Os goblins não se preocupam em vender o que fazem, então as pessoas só se baseiam nos barulhos que vêm da fábrica. Há muitos anos, teve um único Capitão Vapoflagelador que acabou aparecendo no meio da cidade, e o discurso incoerente e maluco dele levou a especulações de todo tipo."

“O que você acha que eles estão fabricando?”

"Eu não sei. Talvez um martelo bem grandão."

"Obrigada, Ming-na. Você foi ótima. Nadima, é a sua vez."

“Olá, pessoal! Eu sou a Nadima e a minha fala é sobre os Laboratórios Híbridos. A nossa história começa há 28 anos atrás, em um laboratório de uma universidade. Os doutores Julius Jameson, Luisa Rodriguez e Hana Tanaka estavam procurando descobrir a cura para o câncer. Eles se encontravam na universidade, e eram os três maiores gênios de suas áreas. A pesquisa deles mostrou que uma iguana específica lá do sul parecia imune a um certo tipo de mutação celular. A esperança deles era conseguir dar a um hospedeiro humano a mesma imunidade da iguana a partir de um novo procedimento. Ao invés disso, a cobaia criou uma cauda.

"As doutoras Rodriguez e Tanaka viram isso como um grande insucesso, mas o Dr. Jameson notou que tinham chegado em algo profundo, por acidente. Sua técnica permitia que as pessoas enxertassem elementos de outros animais em si mesmas. Suas colegas não compreendiam as ramificações, mas o Dr. Jameson notou que a descoberta deles poderia reformular a humanidade, e não só a humanidade, mas todas as espécies. E se a ciência desse a cada indivíduo o poder de se tornar o que quiser?

Clever Combo
Clever Combo | Ilustração: Kev Walker

"Para demonstrar o que ele queria dizer, o Dr. Jameson fez o procedimento nele mesmo, para ganhar um par de asas. Ele sempre quis voar, e agora ele poderia expressar esse seu desejo. Quando ele abriu o procedimento para estudantes da universidade, a demanda foi enorme. Escolha um animal: você pode se tornar ele! Nem precisava ser um só. Se você se sentia parte tartaruga e parte jaguar, era nisso que você podia se transformar.

"A universidade tornou-se o centro deste novo modo de viver, e as pessoas vieram de toda Bablóvia para entrar no que virou uma comuna. As criaturas viam, transformavam-se, e permaneciam para viver em um mundo onde não eram julgadas por incorporar o animal (ou animais) que definiam sua personalidade. O Dr. Jameson passou por vários procedimentos, adicionando animais repetidamente nele mesmo. Depois de misturar DNA de dinossauro, ele escolheu mudar seu nome para Dr. Julius Morfixórdio.

“O que exatamente os Laboratórios Híbridos fazem?”

"Eles juraram fazer duas coisas. A primeira era alterar qualquer pessoa que quisesse obter sua 'forma verdadeira'; a segunda era proporcionar uma sociedade onde as pessoas que chegaram à sua forma verdadeira pudessem viver em paz."

"E como ela se tornou seu próprio governo?"

"Houve rumores de leis que criminalizariam as alterações, e daí o Dr. Morfixórdio convenceu alguns políticos a ajudá-lo depois de ajudar esses políticos a chegarem em suas formas verdadeiras.”

“O que você aprendeu estudando os Laboratórios Híbridos?”

"Eu aprendi que minha forma verdadeira é provavelmente metade texugo, metade mangusto."

"Interessante. Obrigada, Nadima. Acho que era isso que tínhamos agendado para hoje."

"E eu?"

“Stuart, desculpe. Eu sem querer anotei que a sua apresentação seria na semana que vem. Pode vir."

"Oi, eu sou o Stuart e o meu tópico são os esquilos."

"Esse não foi o tópico que eu passei pra você."

"A vida é curta demais pra fazer os tópicos que passarem pra gente."

"Não é assim que... Sabe de uma coisa? Tudo bem. Vamos ouvir sobre os esquilos."

"A Bablóvia ama a ciência. Sério, ama a ciência mesmo, de verdade. Mas ninguém fala das ramificações desse amor todo. É por isso que eu escolhi falar dos esquilos."

"O que que... Desculpa, continua."

"Uma das pedras fundamentais da ciência é a experimentação. Para experimentar, você precisa de uma cobaia. Por muitos anos a escolha principal dos experimentos científicos era o ratinho branco. Era a escolha perfeita. Os ratos respondiam bem às variáveis, a manutenção era fácil, e havia muitos deles. Ao longo dos anos, a Bablóvia deu mais e mais foco às ciências e começou a fazer cada vez mais experimentos. Cada vez mais ratinhos eram necessários.

"Com o tempo. a taxa de novos experimentos superou a taxa de nascimento de ratos brancos. Ninguém prestou atenção nisso até que fosse tarde demais. Quando a comunidade científica notou que os ratos brancos estavam em risco de extinção, era tarde demais e ninguém conseguiu impedir. A Liga tentou cloná-los, mas todos nós sabemos como isso deu errado. No fim, o último ratinho branco morreu há treze anos atrás.

"No começo, ninguém sabia o que fazer, mas daí os Laboratórios Híbridos chegaram a uma resposta interessante. O animal mais próximo nos atributos necessários era ninguém menos, que o esquilo. Havia uma preocupação de que os esquilos tivessem a mesma sina dos ratos brancos, então eles investiram em melhorias para que os esquilos ficassem com mais vigor, mais resiliência, e com reprodução mais rápida. Também trabalharam em seu DNA para fazer com que fossem as melhores cobaias possíveis.”

"Muito interessante, Stuart, mas o que isso tem a ver com o governo? Hoje nós estamos estudando o governo babloviano."

"Existe um grande debate que o trabalho que foi feito no DNA dos esquilos fez bem mais do que melhorar seu desempenho como cobaias. Tem quem acredite que isso tudo os levou a sapiência."

“E como isso poderia ter impacto no governo?”

"Eu acredito que todas as cinco facções estão sendo controladas secretamente pelos esquilos."

"Não sou paga para isso. Obrigada, Stuart, pela informação inspirada sobre... Hã, sobre os esquilos."

"Espera, você não me deixou terminar. Eu tenho provas! Tecnicamente não são provas, são mais convicções, mas é importante mencionar se a gente está discutindo o funcionamento do governo de Bablóvia."

“Infelizmente, Stuart, esse é todo o tempo que temos para a aula de hoje. Quero agradecer a todos que se apresentaram. As apresentações foram muito interessantes. Lembrem-se que na segunda vamos falar das várias cidades, então se vocês receberam uma dessas apresentações, venham preparados. Obrigada, gente. Dispensados!"

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